
“o pior de todos os sistemas com excepção de todos os outros”
Disseram-me em tempos: “...no tempo do Salazar sempre era mais justo, se falássemos demais, seríamos provavelmente detidos pela polícia do regime, sinal claro de que nos ouviam, que incomodávamos. Hoje falemos demais, ou nem por isso, ninguém nos ouve!”O que esta voz sábia, vivida e plural queria dizer do meu ponto de vista é tão simples como a própria citação parece indicar.É ou não verdade que vivemos em Democracia? Se sim, gostaria que alguém me definisse o que esta palavra realmente significa em termos práticos. Será que se trata de um conceito? Um sentimento? Ou não será apenas uma forma cobarde e camuflada de esconder algo mais. Não sou apologista das teorias da conspiração. Como é possível que neste sítio à beira mar aqui disposto, se tomem posições que não lembraria sequer ao maquiavélico Dr. Salazar tomar!Ora então vamos lá ver: é ou não verdade que mais de metade dos cidadãos portugueses votou à uns meses atrás no sr.engenheiro para conduzir os destinos tortuosos deste país, de forma a aumentar a igualdade e diminuir a pobreza entre todos nós? Então se sim, muito bem. Gostaria por esta altura de perceber a razão pela qual essa mesma maioria dos habitantes deste país de Camões, se mantém inerte e incapaz de fazer ouvir a sua voz de uma forma mais perceptível. Não chegam manifestações e greves! É urgente e necessário fazer vingar o nosso real valor e fazer justiça à palavra que dá titulo a este texto (primeira boa utilidade: Títulos de textos). Não é permissível de forma alguma, que em troca de um falso álibi, de seu nome Democracia, se permita colocar uma larga maioria dos Portugueses em situação de “Carência Econômica”.O país estava mal, pediram-nos para “apertar o cinto”. Tudo bem. O país ficou pior e reiteraram o pedido (educadamente como convém). Indignámo-nos. E depois presumindo que a nação e o povo são apenas cães de trela que se castigam quando não fazem o respectivo “chi-chi” no local apropriado às horas certas, vão-nos retirando o osso até aprendermos a fazer as nossas necessidades num mínimo espaço de tempo e de forma a ocupar o menor espaço possível para assim dar lugar a outro, tornado-nos simplesmente: cobaias descartáveis!Se bem nos lembramos, foram justamente estes “animaizinhos de estimação” que colocaram naqueles domingos de manhã as cruzinhas da sorte para alguns e os passaportes sem visto para uma larga maioria (o povinho). Falo do único dia de quatro em quatro que a população em geral se torna em algo mais do que simples números. Esta representa num só segundo, aquilo que deveria representar em quatro anos. O que aqueles que no passado e no presente deveriam ter em conta ao aceitar a responsabilidade de gerir a pátria, mas alguém do staff se esqueceu de lhes dizer (provavelmente um qualquer acessor a passar férias em Benidorm) foi que, supostamente, a ideia era governar um país, onde lá dentro, mesmo que em Trás-os-Montes ou em qualquer outro sitio que não lembraria ao diabo construir uma casa, viviam seres humanos e não cães de trela, ou iguanas domésticas.Mas ao contrário daquilo que possa parecer, não é com estes senhores que eu estou de mau humor; não é com o poder ou a forma que este tem de ser alcançado, mas sim com os meus “colegas de cela” que logo após uma pseudo-justificação oferecida por um qualquer pseudo-intelectual com o mínimo de capacidade retórica que aparece no ecrã (pago em suaves prestações mensais) se convençam que se tratam apenas de medidas transitórias e que um dia tudo mudará para melhor. Será normal viver num país onde um café chegue a custar um euro e o salário mínimo nem sequer atinja os quatrocentos?! (mais informo que o mês tem 30 dias). E como se não bastasse ainda se abstêm de conversas relacionadas com politica (pelo menos no estado sóbrio), porque fazem o “esforço” de acreditar nada poder fazer para alterar a situação e por arrastamento passam a decisão fulcral do voto para as “big-megas” fontes de credível informação: senhoras e senhores: os media. Sem excepções.É fácil cair no vicio: votar à esquerda moderada nas autárquicas, à direita moderada nas presidenciais e em “não sei quê” para o parlamento. De vez em quando convém trocar a ordem. “-É para eles não se habituarem ao poleiro.”, dizem.Em jeito de conclusão, importa salientar que não pretendem estas palavras causar qualquer tipo de desordem pública. Não pretendo também tentar anarquizar o nosso pequeno país. Não lhe passe pela cabeça, caro leitor, que lhe estiveram a tentar vender alguma ideologia politica ou “quiçá” uma máquina de lavar roupa ou um ferro de engomar. Não, de forma alguma! O que eu realmente pretendo é apelar, mais uma vez, ao inconformismo e à indignação geral de todos os cidadãos, porque julgo que é possível colocar a Democracia ao serviço do povo e não o contrário. Já ultrapassei a adolescência por isso não pretendo mudar o mundo; pelo menos sozinho!Se realmente a voz do povo é a voz de deus, cabe-nos a nós que efectivamente cá estamos, zelar não só pelo futuro dos nossos filhos como até mesmo pelo nosso. Se nos esforçamos brutalmente para viver com o mínimo de dignidade, jamais podemos estar sujeitos a estas reformas que mais não são do que mera continuação do circo em que se tornou a politica em geral neste país. É realmente de lamentar que existam ainda pessoas a não acreditar, a não querer ver, a não querer ouvir que a pobreza e a desigualdade estão tão saudáveis como nunca em Portugal e acham inútil que se “sujem” as páginas de um jornal desta forma. Torna-se por isso necessário ir, o quanto antes, ao baú das antigas armas e fazer justiça a este país que com tantos séculos de história, pátria de tantos heróis, de conquistas além-mar, hoje não consiga sequer honrar o passado, fazendo a história feliz dos homens de amanhã.Acho que a solução não está na secretária do Sr. Primeiro Ministro, nem na caixa de Pandora. Está seguramente em nós!“Portugal é nosso (cidadãos do mundo) pró bem e pró mal”.
Texto escrito por
Carlos Olivença
Obs. Muito Obrigado pelo apoio e participação neste meu cantinho pequenino :)